Chuva
Chovia. Eu olhava pela janela o céu se derreter. O aguaceiro caminhava pelo caminho dos homens e dos carros.
Água que vinha banhar o negrume do asfalto. Chuva que persiste e forma pequenas poças que, logo, logo, são transformadas em pontos de alagamentos.
E a chuva, intermitente, caía.
Relâmpagos clareavam a noite. Chuva caía forte. Hora de conciliar o sono é hora, também, de ouvir buzinaço vindo do engarrafamento que rapidamente se formara.
É preciso calma. Muita calma. E o longo engarrafamento é realidade. Chuva caía.
Trânsito travado. É a chuva. É a água.
Demorou até acabar aquele caos.
Casas foram invadidas pelas fortes águas. Muitos, desafortunados, perderam seus pertences adquiridos com muito esforço. Carros cheios de lama.
É a chuva.
Nas roças, oh, meu Deus! as chuvas são benfazejas. As plantações são cultivadas; e o alimento chega às mesas. Tanques recebem as águas que vão servir a humanos e criações. Trovoada. Trovoada é esperada pelo homem do campo; e quando o aguaceiro despenca, é júbilo.
Muitos se recordam do seu tempo no campo onde a chuva era ansiada. Agora, quando a seca expulsou a sua gente para a cidade grande, a chuva é sinal de medo. Acomodações humildes estão em constante perigo.
Na cidade grande a chuva causa medo.
Cidade grande não suporta aguaceiro.
Escrito por Marcelo Fonseca às 15h43
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